Astrônomos descobriram o eco do buraco negro da Via Láctea, "acordando" há 200 anos

Uma equipe internacional de cientistas descobriu que Sagitário A*, um buraco negro supermassivo localizado no centro do

Via Láctea, saiu de um longo períodopaz há cerca de 200 anos. O eco de raios X mostra que a intensidade da radiação do buraco negro naquele momento era pelo menos um milhão de vezes maior do que é agora.

Sagitário A* é muito menos brilhante do que outros negrosburacos nos centros de outras galáxias que os astrônomos observaram. Isso significa que atualmente não está absorvendo o material ao seu redor. Os pesquisadores usaram dados de telescópios de raios-X para descobrir como o comportamento da estrutura maciça no centro de nossa Galáxia mudou no passado.

Os astrônomos usaram o satélite IXPE da NASA paraestuda a polarização da luz que vem das nuvens moleculares galácticas localizadas perto de Sagitário A*. Medições precisas, comparadas com dados observacionais do observatório de raios-X Chandra e do satélite XMM-Newton, permitiram determinar o sinal emitido no passado distante e encontrar sua fonte.

Emissão de raios X de nuvens moleculares no centro da Via Láctea. Imagem: Chandra: NASA/CXC/SAO; IXPE: NASA/MSFC/F. Marin et al; processamento de imagem: L.Frattare, J.Major & K. Arcand

Ao analisar os dados, a equipe descobriu queos raios X que fazem com que as nuvens moleculares brilhem intensamente são luz refletida de um flash intenso, mas breve, originado em Sagitário A*. Embora a própria fonte de "luz" tenha se apagado há muito tempo, sua radiação refletida continua a afetar os objetos próximos.

Os pesquisadores concluíram que o surto foiassociado à absorção de Sagitário A* parte do material de nuvens moleculares que se aproximam muito do buraco negro. Esse evento ocorreu há cerca de 200 anos, e a intensidade da radiação naquele momento era pelo menos um milhão de vezes maior que a atual.

O som do eco da atividade do buraco negro. Vídeo: NASA/CXC/SAO/K.Arcand, SYSTEM Sounds (M. Russo, A. Santaguida)

Outras observações ajudarão a esclarecer o temposurto e sua intensidade, acreditam os cientistas. Além disso, usando dados de radiação refletida, será possível construir uma distribuição tridimensional de nuvens moleculares gigantes ao redor de um buraco negro em repouso.

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Imagem da capa: Chandra: NASA/CXC/SAO; IXPE: NASA/MSFC/F. Marin et ai.