Planetólogos do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais modelaram usando um simulador
Uma dessas questões era sefalta de metano em Marte. Uma análise das imagens do espectrômetro planetário Fourier instalado a bordo da espaçonave Mars Express mostrou em 2019 a presença de acumulações de metano acima da superfície do planeta vermelho. No entanto, no mesmo ano, o aparelho de pesquisa Mars TGO determinou a concentração de metano na atmosfera do planeta como insignificante.
Essa discrepância pode ser explicada pela possívelvariabilidade espacial e temporal do conteúdo de metano na atmosfera, observam os cientistas. Pode haver várias fontes de metano em Marte: vulcões, meteoritos, cometas e poeira interplanetária ou organismos biológicos. Além disso, existem muitos fatores que afetam a destruição do metano na atmosfera. Os pesquisadores conseguiram captar as condições em que um dos veículos de pesquisa registrou a presença desse gás na atmosfera e o outro não.
“Ao alterar os parâmetros de nossa simulação,conseguiram resolver essas contradições, descobrir em que condições e onde o metano pode ser encontrado. Este é um passo importante para entender a relação do metano em Marte com a possível existência de vida”, explica Pedro Machado, pesquisador do Instituto de Astrofísica e Ciências Espaciais e coautor de um artigo publicado na revista Atmosphere.
Outra questão em que os cientistas vêm trabalhando éo destino de grande parte da água em Marte. Evidências sugerem que a água já fluiu neste planeta, e um enorme oceano ocupou a maior parte do hemisfério norte. Hoje o planeta é um deserto gelado.
Planetologistas usando PSG estimaram a proporção de hidrogênio e deutério na atmosfera marciana. Os pesquisadores acreditam que isso ajudará a entender a evolução da água no planeta.
O deutério é um isótopo pesado de hidrogêniomais um nêutron. Portanto, a água, composta por um átomo de deutério e um átomo de hidrogênio, é mais pesada que a água “comum” e é mais difícil para ela voar para o espaço, diz João Diaz, chefe do estudo. “A comparação da proporção de deutério e hidrogênio nos níveis global e local, que pode ser modelada, nos dá informações valiosas sobre a evolução da água marciana.”
Evidências geológicas da presença de água em Marte no passado. Foto: NASA
Os pesquisadores também analisaram o conteúdofosfina na atmosfera de Vênus. Este gás pode ser criado espontaneamente a partir de fósforo e hidrogênio sob condições de alta pressão e temperatura. É exatamente assim que os pesquisadores observam que aparece em Júpiter. No entanto, em planetas pequenos, geralmente está associado à atividade de organismos vivos. É por isso que a descoberta de fosfina nas nuvens de Vênus em 2020 fez os cientistas falarem sobre a presença de vida no planeta.
"Mais pesquisas realizadas em outrosas condições mostraram que a fosfina pode não estar presente ou estar presente em quantidades muito menores do que foi originalmente estabelecido. Nossas simulações confirmaram essa teoria”, diz Pedro Machado.
Além disso, de acordo com os cientistas, a modelagempermite avaliar a presença de dióxido de enxofre na atmosfera de Vênus, que está associado à atividade vulcânica no planeta. A principal conquista do trabalho, segundo os autores, é que ele demonstrou a eficácia do uso do PSG para modelar a atmosfera dos planetas do sistema solar e exoplanetas.
“Nosso trabalho é de grande importância paramissões espaciais planejadas, como EnVision, Ariel e Mars Express. A modelagem mostra as fontes e o conteúdo esperados de produtos químicos na atmosfera. Esses dados nos permitirão selecionar os instrumentos e sensores exatos que serão usados na espaçonave”, acrescenta Pedro Machado.
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