Nokia e Ericsson estão deixando a Rússia: a qualidade das comunicações móveis mudará?

Duas empresas deixam a Rússia

Os chefes da Nokia e Ericsson em entrevista à Reuters confirmaram sua intenção

interromper todas as operações no mercado russo.Ambas as empresas anunciaram em abril que iriam aderir às sanções impostas contra a Rússia e deixar de fornecer novos equipamentos. No entanto, prestaram serviços ao abrigo de acordos e contratos existentes para a manutenção e suporte de equipamentos de rede e telecomunicações.

Em um comunicado de imprensa de abril, a Nokia observou que "de acordo comrazões humanitárias” e para garantir um fluxo contínuo de informações e acesso à Internet para os russos, a empresa continuará a manter redes. Uma declaração semelhante foi publicada pela Ericsson.

Em comunicado divulgado pela empresa suecaem dezembro, observa-se que a Ericson deixará completamente o mercado russo, cerca de 600 funcionários foram demitidos no processo de reorganização. Alguns dos funcionários restantes e o negócio de suporte ao cliente serão transferidos para uma empresa russa organizada por ex-chefes do escritório local da Ericson.

O CEO da Nokia, Pekka Lundmark, disse à Reuters que a empresa também está deixando a Rússia completamente. “Nossa produção será completa. Não vamos fornecer nada para a Rússia”, disse Lundmark.

Em novembro, a TASS, citando fontes anônimasinformou que depois de deixar a Rússia, a Nokia planeja fornecer peças de reposição para equipamentos instalados por operadoras de telecomunicações russas. Segundo especialistas, deveriam ser suficientes para sustentar o funcionamento do equipamento por três anos. Uma nova declaração do CEO da Nokia contraria esses planos.

Como mudará a qualidade dos serviços de comunicação?

As empresas russas estavam se preparando para a saída de empresase, portanto, estoques acumulados de equipamentos necessários para manter a operação das redes no curto prazo, observa a Reuters, citando representantes do setor não identificados. Um dos principais problemas com a saída das empresas, segundo especialistas, é a falha na atualização do software.

O software integra equipamentos em um únicorede de telecomunicações, monitora e otimiza o tráfego de rede e protege a infraestrutura contra ataques cibernéticos, explicam os especialistas. A instalação de atualizações críticas que corrigem problemas e vulnerabilidades de hardware identificados é necessária para manter a integridade da rede, acrescentam.

Obviamente, os patches de software são de suma importância para manter a saúde, a segurança e a confiabilidade das redes.

Paolo Pescatore, Analista da PP Foresight

Segundo fontes da Reuters, nos últimos anosOs fabricantes russos aumentaram a sua quota de mercado. No final de 2022, é cerca de 25%. Esse volume ainda é incomparável com a participação das gigantes finlandesas e suecas, que agregam cerca de metade de todo o mercado. 

Especialistas do setor entrevistados pela informaçãoA agência acredita que o rompimento com empresas estrangeiras, se durar muito tempo, pode atrasar as comunicações russas em uma geração inteira, e a área de cobertura pode ser reduzida aos níveis dos anos 90.

Operadoras russas sob sanções

Representantes do Ministério Russo de Transformação Digital em uma declaração paraA TASS refutou a previsão da Reuters e informou que a retirada das empresas estrangeiras não afetaria a qualidade das comunicações. Segundo o departamento, equipamentos não faltam no país, além disso, empresas russas já fecharam contratos visando a migração para aparelhos e softwares nacionais. O fornecimento de equipamentos russos deve começar em 2025.

“O valor que as operadoras vão direcionar para a compraEquipamento russo - mais de 100 bilhões de rublos. Isso permitirá organizar a produção moderna de equipamentos de telecomunicações na Rússia", disseram representantes do ministério à TASS.

Em sua declaração, representantes do ministériorelatou como a recusa de empresas estrangeiras em atualizar software afetará a segurança das redes de comunicação e como o trabalho das operadoras russas será construído em 2023 e 2024 antes da entrega anunciada de dispositivos russos.

"Izvestia" com referência a materiaisA Comissão Estadual de Radiofrequências foi informada no início de dezembro que a substituição de importações de equipamentos não estava acontecendo tão rápido quanto o planejado. Segundo a publicação, devido a sanções e dificuldades com o desenvolvimento e produção dos equipamentos necessários em volumes suficientes, as operadoras enfrentaram dificuldades com a transição para equipamentos russos, incluindo estações base domésticas para redes de comunicação 4G.

O Izvestia observa que nos documentos da Comissão Estadualfoi proposto transferir as redes das quatro grandes operadoras para equipamentos exclusivamente domésticos apenas em 2025-2028. Anteriormente, o Kommersant escreveu que os líderes dessas empresas enviaram um apelo ao Ministério da Transformação Digital com informações de que os primeiros testes de laboratório de estações base domésticas “não mostraram a funcionalidade mínima exigida”.

Sanções contra a Rússia: existem alternativas?

Nokia e Ericsson são grandes, mas não são as únicasfornecedores de equipamentos de telecomunicações. Podem teoricamente competir com, por exemplo, a chinesa Huawei ou ZTE. Representantes dessas empresas não comentam publicamente se vão aderir ao regime de sanções ou continuar trabalhando na Rússia e em que formato.

No entanto, de acordo com o Kommersant, a Huaweidevido ao risco de sanções secundárias, fecha a divisão russa de vendas de sistemas de armazenamento de dados e equipamentos de telecomunicações a partir de 1º de janeiro. Dois mil funcionários são convidados a pedir demissão ou sair para trabalhar nos escritórios da empresa em outros países da CEI. Os participantes do mercado acreditam que a empresa continuará a fornecer equipamentos para a Rússia por meio de "importações paralelas", mas os representantes da Huawei se abstêm de comentar.

Móvel, banda larga e móvelNos últimos anos, a Internet tornou-se parte integrante da vida cotidiana e do trabalho de quase todas as indústrias. Se as sanções e a retirada de empresas estrangeiras afetarão a operação do “sistema circulatório” da economia do século 21 na Rússia, pode ficar claro já no próximo ano.

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