Restos de refeição 'delicada' encontrados em caverna Neandertal

Um grupo de arqueólogos explorou a gruta neandertal da Figueira Brava, localizada no litoral

Oceano Atlântico perto de Lisboa.Os cientistas descobriram vestígios de carvão em fogueiras para cozinhar e ricos depósitos de conchas e ossos de animais que os povos antigos consumiam. O principal elemento das refeições antigas eram os caranguejos.

Pesquisadores encontraram 635 pedaços de conchascaranguejos, representando pelo menos 33 indivíduos, bem como restos de cracas e ouriços-do-mar. A grande maioria dos caranguejos eram os mesmos tipos de grandes caranguejos terrestres comidos pelos portugueses modernos. A análise dos ossos mostrou que a maioria dos espécimes era maior que a média, cada um rendendo aproximadamente 200 gramas de carne de caranguejo.

Não havia sinais óbvios nas conchas de que elescomidos por outros animais, como marcas de dentes ou lascas de pássaros caindo nas rochas, observam os arqueólogos em seu estudo. Ao mesmo tempo, o padrão das rachaduras diz que foram abertas apenas para obter carne. Ao mesmo tempo, vestígios de tratamento térmico foram encontrados em cerca de 8% das cascas.

Garras de caranguejo rachadas e queimadas encontradas em uma caverna. Imagem: Mariana Nabais, João Zilhão, Universitat de Barcelona

Os resultados deste estudo são adicionaisconfirmação de que as ideias clássicas sobre os neandertais estão erradas. Por muito tempo, acreditou-se que os representantes dessa espécie comiam apenas carniça ou caçavam grandes presas. Acredita-se que os ancestrais dos humanos modernos tenham comido uma dieta mais variada, incluindo peixes e frutos do mar ricos em ácidos graxos que promoveram o desenvolvimento do cérebro.

No entanto, os achados mostram que cerca de 90.000 anos,Antes mesmo de os primeiros Homo sapiens se mudarem para a Europa, os habitantes da gruta da Figueira Brava já sabiam apanhar e cozinhar caranguejos e utilizavam vários mariscos na alimentação. Isso indica habilidades cognitivas mais avançadas do que se pensava, acreditam os arqueólogos.

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Na capa: Gruta da Figueira Brava. Foto: João Zilhão, Universidade de Göttingen