Cientistas descobriram que os moradores da cidade se orientam no espaço pior do que os aldeões

Para descobrir como o ambiente na infância afeta a capacidade de navegação, os cientistas estudaram dados

cerca de 400 milpessoas de 38 países ao redor do mundo que jogaram o videogame para celular Sea Hero Quest. Este jogo foi desenvolvido em 2016 para estudar a doença de Alzheimer. Durante o jogo, os participantes tiveram que navegar em um barco no espaço virtual, evitar todos os obstáculos e encontrar pontos de controle mostrados no mapa.

Os pesquisadores processaram os dados para descartaro efeito da idade, sexo e nível de educação nos resultados do jogo, e descobriram que o local em que os participantes do estudo cresceram se correlacionava com o número de pontos marcados. Ao mesmo tempo, o local de residência atual não afetou o sucesso no jogo. A análise mostrou que, em geral, os participantes que nasceram na zona rural tiveram melhor desempenho na tarefa.

“Descobrimos que crescer está alémas cidades parecem ser benéficas para o desenvolvimento de habilidades de navegação. Acreditamos que isto é influenciado pela excessiva simplicidade de muitas redes de ruas na cidade”, afirma Hugo Spears, professor da University College London e coautor do estudo.

Cientistas compararam as cidades natais dos participantespesquisa analisando a entropia das redes viárias para avaliar a complexidade e a aleatoriedade dos traçados. Descobriu-se que as pessoas que cresceram em cidades com baixa entropia, nas quais o sistema de ruas é uma grade ordenada, enfrentam pior o jogo. É assim que o sistema rodoviário está organizado, por exemplo, em Chicago e Nova York. E os participantes que nasceram em cidades com uma organização de rua não estruturada (por exemplo, Praga) eram apenas ligeiramente inferiores aos residentes rurais.

“Se você cresce em um lugar com um layout complexoestradas ou trilhas, você está constantemente treinando suas habilidades de orientação espacial. Nessas condições, é preciso virar em ângulos diferentes, mudar de direção e memorizar mais ruas e pontos de referência para cada viagem”, diz Antoine Cutrot, coautor do trabalho da Universidade de Lyon.

Os pesquisadores observam que a desorientaçãono espaço é um dos sinais-chave para o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer. Portanto, entender quais fatores determinam o desenvolvimento dessa habilidade ajudará os médicos a detectar essa doença em tempo hábil.

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